quinta-feira, 6 de setembro de 2007

REAPRENDENDO O BRASIL

“Dezesseis anos de ausência exigem uma aprendizagem e uma maior intimidade com o Brasil de hoje. Vim para reaprender o Brasil.”
(Paulo Freire, ainda no aeroporto, quando do seu retorno ao Brasil. In Paulo Freire: uma biobibliogfrafia.)

O retorno de Paulo Freire ao Brasil foi um momento histórico para a educação no Brasil. Depois de várias tentativas de conseguir o seu passaporte nas representações consulares brasileiras, em países diferentes, Paulo Freire finalmente obtém o documento, graças a um mandado de segurança. Em junho de 1980, aos 57 anos, Paulo Freire desembarca no aeroporto de Viracopos em Campinas, regressando definitivamente ao país que havia deixado em 64, sob o comando dos militares. Sua vontade era reassumir as funções na Universidade de Pernambuco, mas as restrições ainda vigentes o impediram. Fixou residência em São Paulo. Aceitou o convite para lecionar na Faculdade de Educação da Unicamp, em Campinas e logo depois ingressou no Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação (supervisão e currículo) da PUC/SP. Paulo Freire participa da fundação do Vereda – Centro de Estudos em Educação, também em São Paulo, cujo objetivo era desenvolver pesquisas, prestar assessoria e atuar na formação de professores dedicados à prática da educação popular. Ele envolve-se, dessa forma, nos movimentos de professores, movimentos de educação popular e na luta da classe trabalhadora com educadores jovens, valorizando-os e desenvolvendo trabalhos de aprendizado em conjunto.
Viveu momentos de grande conhecimento e produtividade neste seu reaprendizado do Brasil.

Nesse tempo, abordou assuntos variados:

  • sua posição socialista, sua religiosidade.
  • o grande poder de manipulação e domesticação da TV ao reproduzir sonhos alienadores e inacessíveis à classe dominada.
  • a constatação de que a TV está intimamente ligada ao autoritarismo.
  • o estímulo aos alunos a não aceitação do currículo imposto, tomando nas mãos sua própria educação.

“A transformação da educação não pode antecipar-se à transformação da sociedade, mas esta transformação necessita da educação”.

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